Avaliação do acompanhamento pré-natal em serviços de Atenção Primária à Saúde

Autores

  • Nathan Aratani Universidade de São Paulo - USP

Palavras-chave:

Avaliação em Saúde, Cuidado Pré-natal, Atenção Primária à Saúde, Estratégia Saúde da Família, Qualidade da Assistência à Saúde

Resumo

Introdução: As políticas públicas e programas do Ministério da Saúde brasileiro tiveram como princípio ampliar o acesso aos serviços primários de saúde, tais como ao acompanhamento pré-natal, o qual deveria ser prioritariamente orientado por equipes de estratégia de saúde da família, atuando segundo modelos alternativos de atenção à saúde, entretanto, de acordo com os indicadores de saúde, sugere-se não ter ocorrido à incorporação de tais modelos alternativos de atenção ao seu processo de trabalho. É necessário ancorar a prática de serviços longitudinais de cuidado em saúde, como estímulo à superação efetiva do tão indesejado modelo hospitalocêntrico. Objetivo: Avaliar o acompanhamento pré-natal em serviços de Atenção Primária em Saúde. Metodologia: Estudo avaliativo, composto por três recortes orientado pelas premissas da Rede Cegonha. A primeira avaliação deu-se por meio do estudo ecológico de séries temporais, o qual objetivou identificar o comportamento de indicadores relacionados à atenção pré-natal no decorrer de uma década (2007 a 2017). Um rol de indicadores foi listado (matriz diagnóstica da Rede Cegonha) e os dados foram coletados nos sistemas de informação de saúde do Ministério da Saúde para todas as capitais brasileiras e no distrito federal. A análise dos dados permitiu analisar a magnitude e tendência temporais. O segundo recorte avaliativo foi substanciado pela coleta e análise de dados primários de gestantes em atendimento nos serviços de atenção especializada com o objetivo de compreender melhor como diferentes modelos de atenção primária podem influenciar na longitudinalidade do cuidado prestado. Testes de regressão logística foram executados para analisar as variáveis individuais e de serviços de atenção primária, associadas à longitudinalidade do acompanhamento pré-natal em diversos modelos de unidade básica de saúde, a saber: modelo tradicional, estratégia de saúde da família e modelos mistos. O terceiro recorte teve como meta identificar experiências exitosas que contribuíram para a qualificação da assistência pré-natal por meio de uma revisão integrativa de literatura. A revisão literária foi realizada nas bases de dados PubMed e LILACS, e buscou publicações indexadas a partir de 2006. Resultados: A ampliação do acesso a consultas pré-natais em 15 capitais brasileiras foi identificada durante o período de uma década; contudo, tal expansão não resultou na esperada melhoria de indicadores de morbidade por sífilis congênita e HIV (em menores de cinco anos) e de mortalidade materna e neonatal. Os aspectos que favoreceram a longitudinalidade do cuidado prestado as gestantes em diferentes tipos de unidades básicas de saúde foram: ser gestante negra ou parda em unidades de saúde da família e a escolaridade (menos de sete anos) nas unidades tradicionais. Os serviços que têm entre seu rol de práticas a visita domiciliar e a composição das equipes com agentes comunitários de saúde apresentaram maiores chances de atingir a manutenção da longitudinalidade do cuidado. Grupos de educação em saúde durante a gestação e a reestruturação dos aspectos organizacionais dos serviços prestados através da incorporação do uso de tecnologias de informação e da definição de fluxos assistenciais locais foram definidos como boas práticas e estratégias a serem adotadas pelas equipes e serviços de saúde. Conclusões: Equipes de estratégia de saúde da família, serviços de atenção primária e a Rede Cegonha possibilitaram avanços no acompanhamento pré-natal, com destaque para a ampliação do acesso a ele. A incorporação de práticas e modelos alternativos de atenção à saúde nos distintos serviços prestados ainda é incipiente.

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Publicado

26.03.2021

Como Citar

ARATANI, N. Avaliação do acompanhamento pré-natal em serviços de Atenção Primária à Saúde. Revista de Saúde Pública de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil, v. 3, n. 2, p. 48, 2021. Disponível em: https://revista.saude.ms.gov.br/index.php/rspms/article/view/134. Acesso em: 7 jun. 2023.

Edição

Seção

Resumos de dissertação ou tese de doutorado